Geoturismo no Seridó
por Marcos Antônio Leite do Nascimento
Novas modalidades de turismo estão sendo potencializadas no interior estado, através de atividades de cunho religioso, de aventura, científica, de negócios, rural e ecoturística. Neste último caso, a atividade se desenvolve dando uma maior ênfase aos aspectos da biodiversidade (fauna e flora). Contudo, um novo tipo de turismo vem se destacando no Mundo e mais recentemente no Brasil, o chamado Geoturismo – nova modalidade de turismo que se desenvolve em bases geocientíficas, que tem como principais atrativos as diversas feições geológicas e geográficas objetivando assegurar o desenvolvimento de práticas conservacionistas e sustentáveis, proporcionando também ao turista uma maior vivência do ambiente visitado através da interpretação de fenômenos e processos ativos, de caráter geológico, geradores de paisagens/relevos, rochas, minerais, fósseis e solos que constituem a base para a vida na Terra. Isto é, o “palco” no qual todas as outras formas de vida são os “atores”.
Assim, entender a geodiversidade, em conjunto com a biodiversidade (e não somente esta última), de uma dada região, permitirá efetuar ações mais completas e, conseqüentemente, obter resultados mais positivos e duradouros, bem como, uma experiência mais rica para o visitante.
O Programa de Regionalização do Turismo – Roteiros do Brasil promovido pelo Governo Federal em parceria com os Governos Estaduais permitiu a criação de diferentes pólos turísticos em todo o Brasil. No caso do Estado do Rio Grande do Norte foram individualizados/identificados cinco grandes pólos, a saber: Pólo Costa das Dunas, Pólo Costa Branca, Pólo Seridó, Pólo Serrano e Pólo Agreste/Trairí. No caso dos dois primeiros há uma interação entre atrativos litorâneos e aqueles encontrados no interior; enquanto que os demais envolvem atrativos exclusivamente situados em municípios do interior potiguar. No momento apenas os três primeiros encontram-se com ações em desenvolvimento.
O referido programa vem contribuindo para o desenvolvimento da atividade turística nos municípios envolvidos com os diferentes pólos, através da criação de roteiros e produtos, favorecendo a participação das comunidades, a geração de emprego e renda, a diminuição dos problemas sócio-econômicos e, finalmente, a minimização dos impactos ambientais através da educação ambiental.
Dentre os três pólos inicialmente trabalhados, o Pólo Seridó é o que apresenta a maior geodiversidade e, portanto, as maiores riquezas em termos de atrativos geoturísticos. Isto se deve ao fato da Região Seridó ser uma das mais completas e belas em patrimônios geológicos no Nordeste do Brasil, os quais são decorrentes dos inúmeros processos naturais a que esta região foi submetida ao longo do Tempo Geológico.
Em se tratando de paisagens, minerais, rochas (“pedras”) e diversos outros temas geológicos, o Rio Grande do Norte apresenta exemplos dos mais didáticos e completos, abrangendo desde rochas antigas do embasamento cristalino (com mais de 3 bilhões de anos) até às coberturas de dunas (com menos de 5 mil anos). Muitos desses exemplos constituem potenciais monumentos e sítios, que vêm, atualmente, em função de sua importância histórica, cultural, científica e paisagística, despertando interesse do turismo, conforme já se pode verificar in loco com a freqüente ocorrência de visitas espontâneas ou guiadas por agências de turismo à região.
Neste trabalho, dar-se-á destaque aos patrimônios geológicos, geomorfológicos, mineralógicos, paleontológicos e arqueológicos presentes no Pólo Seridó (Roteiro Seridó), região do sertão do Rio Grande do Norte, composto pelos municípios de Cerro Corá, Currais Novos, Acari, Carnaúba dos Dantas, Parelhas, Jardim do Seridó e Caicó. (seria bom definir a delimitação dos municípios que serão abordados: se são os do Pólo, ou do Roteiro ou da região).
Neste pólo, o relevo se destaca na paisagem proporcionando cenários exuberantes e mirantes que permitem a contemplação de áreas pouco conhecidas. Na constituição do relevo, destacam-se as serras, os picos e afloramentos de rochas, cujos melhores exemplos são: Serra de Santana, em Cerro Corá; serras do Chapéu, da Catunda, da Acauã, do Piauí e Pico do Totoró, em Currais Novos; serras do Bico da Arara, do Pai Pedro, da Lagoa Seca, afloramento Poço do Artur e a região do Açude Gargalheiras, em Acari; Monte do Galo, Pedra do Dinheiro, em Carnaúba dos Dantas; serras das Queimadas, da Coruja, da Areia, da Maniçoba e do Maribondo, em Parelhas; e as serras de São Bernardo, da Formiga, a Gruta da Caridade e a Pedra da Baleia, em Caicó. Todas as serras, picos e afloramentos são formados por granitos, gnaisses, quartzitos e arenitos. Esses locais são excelentes para a criação de sítios geológicos-geomorfológicos, hoje muito utilizados para a prática do turismo de aventura através de atividades como o traking, happel, off road e outras.
A mineração possui um potencial geoturístico particular ao longo do Roteiro Seridó, destacando-se o Distrito Mineiro da Brejuí, em Currais Novos. Na Mina Brejuí há cerca de 60 km de túneis subterrâneos, onde aproximadamente 300 metros destes já estão preparados para visitação. Há também um Museu/Memorial instalado nas dependências da mina, revelando toda a sua história. Além desta mina, tem-se ainda na região de Parelhas, uma enorme diversidade de minerais, com destaque para a turmalina, água marinha, granada, ametista, dos quais, muitos são considerados preciosos e atraem vários turistas e comerciantes.
Observam-se, também, registros do homem e de animais pré-históricos por solos potiguares, nos inúmeros sítios arqueológicos/paleontológicos do Roteiro Seridó, os quais se destacam neste tipo de atividade geoturística. Inúmeras pinturas rupestres são encontradas na região de Carnaúba dos Dantas, onde foram catalogados mais de 80 sítios arqueológicos, com destaque para os Sítios Xique-Xique I, Casa Santa e Pedra do Alexandre, onde ocorrem gravuras e pinturas das 3 grandes tradições de pinturas rupestres do Nordeste brasileiro – Nordeste, Agreste e Itaquatiaras; em Parelhas, com destaque para o Sítio Mirador, onde foram encontrados vestígios da presença do homem antigo, com datações de 10.000 anos atrás; em Cerro Corá, com destaque para o Sítio de Serra Verde; além de outros espalhados pelos municípios de Acari, Currais Novos e Jardim do Seridó. Também, ressalta-se a ocorrência do sítio paleontológico Lagoa do Santo, em Currais Novos, onde foram encontrados registros de vários animais que caracterizam uma mega-fauna de idade pleistocênica.
Convém lembrar, que os sítios mencionados são apenas uma pequena amostra do que o Roteiro Seridó/ a região do Seridó possui em termos de atrativos geoturísticos. Diante desse panorama, ressalta-se a importância de um planejamento prévio e estratégico para o desenvolvimento desta atividade para que ela se perpetue como uma fonte de emprego e renda para os municípios e comunidades envolvidas. Porém, tal planejamento deve se orientar em bases preservacionistas, haja vista que o patrimônio geoturístico possui a particularidade de ser único e irrecuperável: uma vez deteriorado estará perdido para sempre! E com ele, as perspectivas de um futuro melhor para as comunidades locais, como conseqüência da inviabilidade de desenvolvimento do Geoturismo.
Marcos Antonio Leite do NASCIMENTO. Geólogo, Diretor da Terra & Mar Soluções, www.terraemarsolucoes.com.br, marcos@terraemarsolucoes.com.br
Yves Guerra de CARVALHO. Turismólogo, Consultor do Programa Sebrae de Turismo no RN para o Projeto Roteiro Turístico do Seridó, roteiroturistico@sebraern.com.br e diretor do portal www.rnviagens.com.br
Wendson Dantas de Araújo MEDEIROS. Geógrafo, Professor Assistente do Curso de Gestão Ambiental da Universidade do Estado do RN - UERN e do Núcleo de Turismo e Hotelaria da Faculdade Câmara Cascudo, Diretor da A4 Consultoria Ambiental, www.ambiental4.com.br, wendson@ambiental4.com.br.
Daniela Bezerra TINOCO. Turismóloga, Coordenadora do Projeto Roteiro Turístico do Seridó – Programa Sebrae de Turismo, daniela@sebraern.com.br
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